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Visagismo,uma velha nova onda


Na beleza, assim como na moda, as escolhas também podem ser aprimoradas, adaptando as tendências de moda ao estilo de cada um; é isso que a técnica do visagismo proporciona

por Sonia Nascimento e Chris Oliveira| fotos Rafael Cusato | maquiagem Tide Martins


A descoberta da identidade
Chama-se visagismo a arte de criar uma imagem pessoal que revela as qualidades interiores de uma pessoa, de acordo com suas características físicas e os princípios da linguagem visual (harmonia e estética), utilizando a maquilagem, o corte, a coloração e o penteado do cabelo, entre outros recursos estéticos, de acordo com artista plástico Philip Hallawel, precursor da técnica no país, que escreveu o livro Visagismo, Harmonia e Estética (3ª edição. Senac Editora São Paulo).
O termo é derivado do francês visage, que significa "rosto". Presente em várias áreas que lidam com estética, o termo virou mania no mundo feminino. Apesar de ser novidade para muitas, o conceito já existe há quase 80 anos e era aplicado somente à persona visual de cada um. Na prática o visagismo é a arte de adequar essa imagem de acordo com a personalidade, atividades e princípios do cliente, além das considerações estéticas. Isso significa que o profissional de beleza precisa saber como criar um estilo personalizado para cada um dos seus clientes e estar atento ao perigo de cair na armadilha de criar imagens padronizadas, baseadas nas "tendências" de moda.


Para ser negro no Brasil é preciso encontrar a identidade. Desde que Taís Araújo assumiu o posto de protagonista na novela Viver a Vida de Manoel Carlos, como Helena, a recuperação da autoestima das mulheres negras passou a ter maior visibilidade. O caminho foi descoberto e a mulher negra já se vê inserida no universo da beleza. "Desde que a Taís apareceu com o novo visual na novela Viver a Vida, muitas clientes passaram a pedir o cabelo ' igual ao dela'. Só que nem todo mundo é Taís. Só que nem todo mundo fica bem com o cabelão da Taís", explica Chris Oliveira, produtora de moda e trançadeira, que seduzida pela cultura afro, conseguiu traduzir, por meio das tranças, dreads e mega hair com referências contemporâneas, o que combina em se tratando de estilo e beleza, através do visagismo. "Eu uso esta técnica em cabelos e faço um paralelo do quanto isso tem a ver com a personalidade de cada pessoa e notei que nos penteados afro estava faltando aplicar o visagismo", explica ela. Pesquisando muito em como mudar isso, Chris criou uma coleção de penteados com tranças, que dão ideias de personalização. "É algo inovador", completa Chris, que está sempre à procura de novas tendências.

Visagismo: conceitos e utilidades

Visagismo é uma análise detalhada de todo o seu perfil, incluindo formato de rosto, estilo pessoal, preferências, etc. O conceito nasceu da necessidade de se trabalhar a melhor imagem de uma pessoa, fundamentada nas suas características físicas e psicológicas. Sua estrutura principal deriva de Hipócrates, o pai da Medicina, que divide a personalidade em quatro tipos: os coléricos, sanguíneos, melancólicos e fleumáticos (ver Boxe). Esses perfis são fundamentais para as escolhas da carreira, do trabalho, do parceiro, do sócio e até da modalidade esportiva. Conhecê-los é essencial para sabermos quem e como somos ou o porquê de nossos hábitos e atitudes e o modo como agimos. O visagismo é a arte de criar uma imagem própria, revelando qualidades internas e externas de uma pessoa, partindo do princípio da linguagem visual, como a harmonia e a estética.
Utiliza para isso, a magia da maquiagem, o corte de cabelo adequado, a coloração ideal, o penteado perfeito, entre outros recursos estéticos.

Aplicação do visagismo

A produtora de moda e trançadeira Chris Oliveira analisou quatro modelos e traçou o perfil de cada uma delas para aplicar a técnica do visagismo. Seguem sua análise sobre cada uma das modelos

 


KAREN LUCAS
20 anos, estudante do 3º período de Jornalismo, usa black há três anos.

Proposta:
"Manter o cabelo dela natural e destacar o rosto, o que valorizou sua beleza, fazendo-a ficar em evidência".

Trabalho realizado:
"A Karen tem muito cabelo, o que escondia a beleza. Optei por mostrar o formato do rosto, trançando o cabelo natural em formato de folhas o que evidenciou a sua beleza. Este tipo de penteado deve ser refeito a cada 15 dias".

Formato de rosto:
"Hexagonal de lateral reta, que dá uma imagem contemporânea, moderna. É importante valorizar as linhas da primeira camada (região dos olhos) e da terceira (região da boca) mantendo o cabelo à vista atrás das orelhas".

Temperamento:
"Colérica. Acredita muito em si e pensa no futuro de forma criativa, mas, sem tirar os pés do chão".

Estilo:
"Moderna e transmite confiança".


NAYARA DINIZ

15 anos, finalizou o ensino médio e quer ser comissária de bordo.

Proposta:
"Colorir o cabelo sem uso de química e mostrar alegria e dinamismo através da cor quente. Manter o tamanho do cabelo para não pesar. Com as tranças, a proposta era suavizar os fortes traços quadrados".

Trabalho realizado:
"De acordo com Chris Oliveira, o visual precisa ser refeito a cada dois meses, devido ao crescimento natural dos cabelos. As tranças foram feitas na frente, misturando tranças mais soltas com rasteiras. "Embora Nayara quisesse um cabelo longo e ruivo, chegamos a um consenso, em que não foi necessário usar química, e ela manteve o ar 'de menina', já que é tão novinha para usar tintura", explica Chris.

Formato de rosto:
"Quadrado com a primeira e terceira camada mais curtas (região dos olhos e da boca) para evitar deixar a lateral do rosto em evidência".

Temperamento:
"Sanguínea. Dinâmica, alegre e comunicativa".

Estilo:
"Romântica e expressa alegria".



Visagista e hairstylist: demarcações

Apesar de ser uma técnica antiga, o visagismo ganhou notoriedade entre os profissionais de estética há alguns anos. O profissional dessa técnica, ou seja, o visagista é confundido com profissionais de outras áreas, como hairstylist, maquiador entre outros. Segundo Chris Oliveira, a diferença entre hairstylist e visagista é que: "Hairstylist é uma palavra em inglês para cabeleireiro. Nada mais é do que um profissional especialista e diferenciado com a capacidade de criar um estilo de corte, enquanto o visagista vai além: cria estilos personalizados. Existem visagistas atuando em diversas áreas: cabeleireiros, maquiadores, odontólogos, cirurgiões plásticos, consultores de imagem e moda, fonoaudiólogos e psicólogos", explica ela.

 

 

RAFAELA
20 anos, atualmente é funcionaria do Fórum de São Paulo e trabalha com roupas mais formais. Pretende cursar Administração de Empresas.

Proposta:
"Aplicar cabelo liso dando maior credibilidade, devido à seriedade da profissão. Foi escolhido o comprimento médio com repicado moderno e franja na testa opcional, que ressalte o lado sexy, se desejar".

Trabalho realizado:
"Escolhi o entrelaçamento liso, onde o cabelo natural dela, sem química, continua por baixo, sem nenhuma alteração. Este 'modelo' é bem apropriado para o rosto oval, o que chamamos de 'rosto perfeito' para trabalhar o visagismo. Combina com quase tudo".

Formato de rosto:
"Oval, simetricamente perfeito. Tem a mesma proporção nas principais regiões do rosto: olhos, nariz e boca. Este é o tipo de rosto que pode usar qualquer corte e penteado, mas deve preferencialmente evitar penteados volumosos para não ressaltar os traços finos".

Temperamento:
"Sanguíneo com fleumática. Alegre e de bem com a vida e com o equilíbrio do fleumático por não se incomodar com mudanças e possíveis demoras. A mistura faz com que busque a opinião de quem ama quando precisa tomar decisões mais sérias".

Estilo:
"Romântica e transmite inteligência".

 

MARLUCI E

PIFANIO
21 anos, estudante de Siste

m

as de informação. Cabelo naturalmente enrolado, cac

heado até o ombro.

Proposta:

"Penteado temporário para um evento moderno. A intenção era passar alegria e descontração usando uma franja lisa para dar equilíbrio ao rosto triangular invertido".

Trabalho realizado:
"Escolhi este modelo 'moicano', que combinou muito com o rosto dela, e o que ela queria. A franja solta deu um ar de sofisticação e as tranças coloridas ficaram muito 'modernas'. Mas este é um penteado para ocasiões especiais, não para o cotidiano. Ressaltou o 'brilho', que no dia a dia não apareceria".

Formato de rosto:
"Triângulo invertido, com excesso na primeira camada (região dos olhos), com falta na segunda e na terceira camada (região do nariz e boca), evitei acentuar a primeira camada".

Temperamento:
"Melancólica. Sensível, organizada".

Estilo:
"Sensitiva, simples e com desejo de mudar".

 

 Descubra seu perfil e aplique o visagismo

Perfil Colérico

A beleza de perfil colérica expressa atitude. É típica de pessoas que se mostram poderosas, passionais, independentes, e também líderes. Ligadas ao coração, sua cor é o vermelho. Transmite força, coragem e determinação. Os coléricos são pessoas fortes e decididas. Têm opiniões que expressam e defendem com força e paixão, o que faz com que pareçam intransigentes e autoritários. São emotivos, intensos. Podem ser explosivos, mas não costumam guardar rancor. São fiéis corajosos, generosos e prezam a lealdade. Atuam em linha reta, perseguindo objetivos, e são obstinados, com tendência a serem teimosos. Terminam o que começam. São motivados por desafios e podem ser insensíveis na busca dos seus objetivos. São dominadores, impacientes e intolerantes e podem ser arrogantes e orgulhosos. São líderes que podem se transformar em tiranos.

Perfil Sanguíneo

Geralmente são indivíduos com personalidade dinâmica, curiosa e em função disso se jogam na vida, demonstrando uma forte inclinação para o risco, materializado na agitação e na falta de disciplina. O rosto de uma pessoa com esse perfil sanguíneo tem linhas inclinadas, num formato que lembra uma pedra de diamante.

BELEZA MELANCÓLICA

A beleza de uma pessoa com perfil fleumático é serena e espiritualizada. Meiga, acolhedora e abnegada. É também diplomática e amigável. Ligada ao éter, sendo sua cor o roxo. Essa pessoa transmite segurança e paz. Os fleumáticos são amigáveis, pacientes e abnegados. São pacificadores e diplomáticos, pois não gostam de confrontos. Precisam de segurança, portanto não gostam de riscos. São constantes e fiéis. São amorosos e carinhosos e transmitem um senso de satisfação e bem-estar. São adaptáveis e flexíveis, enquanto a sua comodidade não seja afetada. Não costumam ser competitivos, tão pouco ambiciosos. Contentam-se com pouco, o que os torna acomodados, desinteressados ou indolentes. Tendem a fugir de responsabilidades. Não gostam de incomodar os outros, porque não gostam de ser incomodados. Frequentemente, deixam as escolhas para os outros, pensando que estão sendo agradáveis, sem perceber que isso pode ser muito irritante e deixa uma imagem de indecisos.


 

Saiba mais sobre os dreadlocks, as tranças chocantes

Por Otávio Rodrigues e Gabriella Araujo 18.11.2008

Apoio : Chris Oliveira - Cia. das Tranças

Embora não sejam invenção dos jamaicanos, as dreadlocks foram, sim, disseminadas por esses nossos amigos caribenhos, em especial os ligados à fé rastafari e ao reggae. Segundo eles, as longas tranças funcionam como antenas, pois captam energia cósmica e fortalecem física e mentalmente a pessoa que as cultiva. Dread significa "chocante, horrível, pavoroso, abominável", e lock quer dizer "trança". Logo, "tranças chocantes" parece boa tradução agora, quando as dreadlocks são moda até entre os de cabelo liso ou os que nunca abriram uma Bíblia. Porque tem essa, galera: está tudo nas escrituras!

 

A exemplo de outras religiões, os rastas seguem vários preceitos. Alimentam-se de produtos naturais, não comem carne vermelha, não bebem álcool, não fumam tabaco... O corpo é entendido como um templo, e uma vez que o habitamos gratuitamente, temos obrigação de mantê-lo limpo e em ordem. A música é uma oferenda, uma celebração ao sagrado, assim como o consumo de marijuana. Boa parte dessas idéias surgem da leitura da Bíblia, hábito que os devotos procuram seguir diariamente.

 

No caso do cabelo, os rastas observam, entre outras coisas, o que aparece em Levítico 21:5: "Eles não devem raspar a cabeça, nem devem aparar o canto da barba, nem cortar a própria pele." Ora, não lembra o mito de Sansão? Aquele que, traído pela amada, perdeu os cabelos e, com eles, sua força espetacular? Os primeiros arranjos de tranças surgiram na Jamaica por volta de 1935, inspirados em fotos de guerreiros massais e somalis da África Oriental. Conta-se que alguns líderes rastas viram isso num livro de história daqueles bem ilustrados.

Os jamaicanos sempre usaram o termo locks para falar das tranças e dread para se referirem à pessoa que as possui. A voga mundial da carapinha gigante, porém, acabou estimulando uma generalização e, assim, dread ou locks hoje querem dizer a mesma coisa: dreadlocks. Logicamente, perderam-se pelo caminho as conotações.

Nathalia Leme

Há quanto tempo fez dread: Há um mês para minha festa de formatura.

Tipo de dread: Com agulha.

Como era o cabelo antes do dread: Curtos.

Como se sentiu depois de fazer dread: Mais bonita.

Onde fez: Cia das tranças.

Como cuida: Lavo de duas a três vezes por semana com xampu anti-resíduos e seco com secador. Procuro não lavar a noite para não ficar úmido.Como se arruma para uma festa: Com anéis e fivelinhas.

Ana Cláudia Magalhães, 17 anos

 

 

Há quanto tempo fez dread: Três meses.

Tipo de dread: Com agulha e há uma semana fiz com cera para unir mais os dreads.

Como era o cabelo antes do dread: Normal.

Como se sentiu depois de fazer dread: Amei, faria tudo de novo.

Onde fez: Cia das tranças.

Como cuida: Lavo duas vezes por semana com xampu anti-resíduos ou anti-caspa e passo um tônico capilar para fortificar a raiz.

Como se arruma para uma festa: Já me sinto arrumada, mas gosto de anéis e de prender os dreads em um rabo.

 

Simone Grazielli, 25 anos

Há quanto tempo tem dread: 1 ano e 5 meses.

Tipo de dread: sintético. Trançado com lã.

Como era o cabelo antes do dread: Usava tranças africanas. Aquelas coladinhas à cabeça.

Como se sentiu depois de fazer dread: Me sinto mais arrumada e atraí mais olhares de curiosidade.

Onde fez: Cia das tranças.

Como cuida: Lavo uma vez por semana com xampu anti-resíduos ou anti-caspa. Não passo condicionador de jeito nenhum e seco bem a raiz. Retoco os dreads no salão a cada um mês e meio.

Como se arruma para uma festa: Gosto de usar turbante. Também gosto de fazer um coque e colocar alguns anéis nos dreads.

 


"Eu queria ter outro cabelo"Chris Oliveira, 35 anos, empresária


Cristina Oliveira nasceu em 25 de dezembro e todos os anos pedia ao Papai Noel o mesmo presente: "Quero um cabelo novo". Em outras palavras, a menina queria um estilo liso e sedoso. Passou a infância sonhando com esse visual, enquanto criava penteados em uma boneca loira. Mais tarde, começou a trançar o próprio cabelo, o da irmã, das primas e das vizinhas, na tentativa de produzir um look diferente. Não só conseguiu o que queria, como passou a assumir sua negritude e seu cabelo cacheado. Melhor que isso: transformou o sonho do passado em um negócio. Há dez anos, ela comanda um salão de cabeleireiro onde só trabalham negras, dez ao todo.

Filha de um segurança branco e uma metalúrgica negra, Chris é a caçula de cinco irmãos, criados no Jardim Ângela, periferia da cidade de São Paulo. Estudou em escolas públicas e sonhava em ser estilista. Até chegou a pagar metade da bolsa da faculdade de moda na Universidade Paulista (UNIP), trabalhando como secretária e fazendo bicos de artesanato. Única negra na sala de aula, conquistava os professores pelas roupas que customizava. "Transformava calça em colete para compensar as grifes das colegas."

Um dia, arrumou uma vaga de "estagiária da estagiária" no Projac, a central de produção da Rede Globo, e foi para o Rio com a esperança de mudar de vida. Lá, para ganhar "algum", trançou o cabelo de um amigo atleta, que a indicou para fazer o cabelo do jogador de basquete Anderson Varejão. Topou na hora e teve uma baita sorte. Enquanto preparava o atleta, a equipe do Jornal Nacional apareceu para entrevistá-lo. "Anderson disse na entrevista que eu era a cabeleireira dele há anos. No dia seguinte, meu telefone não parou de tocar", diz Chris. Ela, então, montou um estande em um evento afro em São Paulo e não parou mais. Fez até a cabeça das modelos de Alexandre Herchcovitch em uma das edições da SPFW. Tornou-se, sobretudo, uma consultora de imagem que defende a diversidade. "Se as loiras podem ter dreads as negras podem ser loiras. Viva a miscigenação!"

Negra fashion que é, ela ainda enfrenta situações claras de preconceito, como passar meia hora invisível em loja de grife, mesmo sendo a única cliente, ou ser intimidada na porta de um restaurante, por um segurança: "Tem certeza de que é aqui?". "Nesse dia, me bateu um orgulho bobo. Primeiro, demorei para escolher o prato. Depois, pedi o mais caro e paguei em dinheiro, com notas altas." Para mudar esse cenário de preconceito, Chris acredita nas políticas de inclusão, mas também em lutar individualmente contra o que chama de "síndrome da senzala". "Faça parte, se coloque, não aceite o papel de vítima."


Passo a Passo  Novo método by Chris Oliveira

DREADMANIA

.O penteado nasceu como uma forma de contestação, mas hoje se tornou artigo fashion nas cabeças mais descoladas. Do modelo tradicional com cera aos feitos de lã e cabelo sintético, os dreadlocks ganharam as ruas.

 

Requintados, os dreads recriaram o velho conceito do penteado e foram sucesso na passarela do desfile de Fause Haten, no SPFW primavera-verão 2007/2008.

SIMBOLO DO MOVIMENTO RASTAFARI, que teve inicio nos anos 30 contra a exploração colonialista na Jamaica, os dreadlocks passaram a identificar as pessoas que integravam aquele grupo. Na década de 60, o cantor de reggae jamaicano Bob Marley popularizou o estilo, que se tornou também uma maneira de afirmação da identidade negra e da cultura africana. Desde então, os dreads foram ganhando novas técnicas, formatos diferentes e conquistaram até quem não  tem cabelo afro. O estigma de que o penteado está associado à falta de higiene também já era. Tanto que faz ou já fez a cabeça de muitos famosos, como Lenny Kravitz, Gilberto Gil e Marcelo Falcão.

Estilos variados

O dread original, da época do movimento Rastafári, era cultivado sem nenhuma técnica especial. Bastava eriçar o cabelo afro, modelar em mechas cilíndricas e ficar sem lavar por semanas, para que o óleo natural do couro cabeludo conservasse a forma emaranhada dos fios. Felizmente, hoje já não é preciso todo esse sacrifício para conseguir belos dreads, autênticos ou falsos. Confira os métodos que os salões especializados oferecem.

  • Cera de abelha- É a técnica mais tradicional e pode ser feita em cabelo com qualquer textura, do liso ao crespo, desde que tenha pelo menos 5 cm de comprimento. Segundo a especialista Chris Oliveira, do Salão Cia das Tranças, em São Paulo, o primeiro passo é separar o cabelo em mechas, de acordo com a espessura escolhida para o dread: fino, médio ou grosso. “Essa divisão não precisa ser em quadradinhos perfeitos. A ideia é não ter uma ordem exata”, explica. O segundo passo consiste em eriçar os fios com um pente fino, fazendo movimentos das pontas em direção à raiz. “Quanto mais embaraçados, melhor”, diz. Depois, aplicar com um pincel a cera de abelhas previamente derretida no fogo- na parte superior da mecha e enrolar com as palmas das fazer o mesmo procedimento no comprimento e nas pontas”, ensina a profissional.

TEXTO: ELISA AYRES

FOTOS: RICARDO KEUCHGERIAN/ DIVULGAÇÃO

MODELOS: HDA MODELS

REALIZAÇÃO: IVETE VITAR

AUTÊNTICO: Para criar um visual diferenciado e divertido, as mechas foram divididas formando um desenho geométrico na raiz e algumas trabalhadas juntamente com lã amarela,dando leveza à produção.

ESPIRITUOSO: O aspecto lúdico deste visual foi obtido aplicando a técnica com lã e posteriormente prendendo atrás, numa espécie de emaranhado bem organizado, que dá forma e textura ao penteado.

Segundo o cabeleireiro João Pedro, do Studio Afonjá, no Rio de Janeiro, o cabelo só pode ser lavado dez dias depois do procedimento. Durante este período, os resíduos da cera vão saindo e os dreads adquirem o formato ideal. Aliás, vale lembrar que o resultado é definitivo. “Para removê-los, só raspando a cabeça”, avisa João Pedro. Manutenção: a cada dois meses ou de acordo com o crescimento dos fios. A cera é aplicada apenas na raiz aparente. Material: cera de abelhas, panela para aquecer e pente fino.

  • Costura: Pode ser utilizada em qualquer tipo de cabelo e segue o mesmo princípio da técnica com cera de abelhas, ou seja, ele deve ser dividido em mechas e todo eriçado com pente. Na fase seguinte, alguns fios são deixados soltos,pois servirão como linha, e só então o dread é costurado com uma agulha de crochê. “Começo a trabalhar a raiz e continuo até as pontas. Depois, faço o contrário, para que o acabamento fique perfeito”, explica Chris Oliveira.

Apesar de mais trabalhoso e demorado, o método garante um visual bem compacto e clean. O resultado também é permanente. Manutenção: a cada dois ou três meses. Costura-se apenas a raiz crescida. Material: pente fino e agulha de crochê.

 

ORIGINAL: O tradicional dreadlock foi feito em cabelo de médio comprimento e fixado com cera de abelha. A divisão em quadradinhos é característica da técnica. Para retirar, somente raspando a cabeça.

 

  • Com lã – Ideal para quem quer aderir ao estilo, mas o comprimento do cabelo ainda não permite. Os fios são divididos em mechas, acrescenta-se a lã na espessura e no comprimento desejado e só então os dois são trançados entre si. Para finalizar, cada trança é enrolada com mais ou menos seis pedaços de lã com 60 cm de comprimento. “ Amarro os dreads com bastante firmeza e depois queimo as pontas com a chama de um isqueiro, para dar acabamento arredondado”, ensina Chris. A técnica pode ser feita no tom do cabelo ou com lã colorida. “ Para criar um visual mais fantasia, podem-se misturar duas, três ou várias cores”, sugere João Pedro. O método não é definitivo. Basta remover a linha para o cabelo assumir a forma natural. Manutenção: é feita em média a cada 45 dias. “ Amarro mais lã na raiz crescida e arrumo os dreads que podem estar frouxos ou soltos”, diz a cabeleireira. Material: novelos de lã, pente e isqueiro.

 

  • Com cabelo sintético – Segundo Chris Oliveira, a técnica utiliza dois tipos de apliques artificiais: miojo frisado e jumbo. O primeiro é aplicado como a lã, com a vantagem de oferecer opções de tonalidades mais próximas à cor natural do cabelo. Já o segundo tipo serve de matéria-prima para criar os falsos dreads antes de serem fixados na cabeça. “ A confecção segue o mesmo processo do método costurado. Separo as mechas, embaraço com o pente e costuro com a agulha de crochê”, conta. O passo seguinte consiste em prender no cabelo os dreads prontos com uma agulha de tapeceiro e linha preta, do mesmo tipo da usada em jeans.

“Indico a técnica para quem deseja dreads com uma aparência natural, mas os cada 45 dias, apenas na raiz aparente. Material: apliques sintéticos, agulhas de crochê e tapeceiro, pente e linha preta.

Na maior limpeza!

Mal-cheiro,sujeira e piolhos definitivamente estão fora da realidade da tribo moderna que adotou os dreads. Ao contrario do que se pensava antigamente, lavar a cabeça com frequência não significa interferir no resultado do penteado, desde que algumas regras básicas sejam respeitadas. Os especialistas aconselham um intervalo de no mínimo dois dias entre uma lavagem e outra, que não deve ser feita à noite. “Dormir com a cabeça molhada é sempre prejudicial, pois o couro cabeludo úmido  e abafado torna-se um ambiente propicio à proliferação de microrganismos”, avisa João Pedro.

Chris Oliveira recomenda o uso de xampus anticaspa ou de limpeza profunda uma vez por semana na raiz. Os outros, de uso diário, a cada dois dias, inclusive no  comprimento do cabelo ,ou seja, nos dreads, para dar um cheirinho bom. “O couro cabeludo tende a concentrar mais a oleosidade, por isso é importante usar produtos com poder regulador e adstringente”, explica.


 

Nações Africanas


  A arte dos Ndebele
Eles habitam a região de Lesedi, na África do Sul e, com cerca de 650 mil pessoas, são uma das poucas nações que conseguiram preservar suas tradições. Mesmo sendo uma sociedade patriarcal, a conhecida herança artística dos Ndebele foi passada de mãe para filha ao longo dos séculos e apenas as mulheres se dedicam aos grafismos e artesanatos

POR SONIA NASCIMENTO  | produção: Chris Oliveira | MODELO: ISABELA ASSUMPÇÃO | FOTOS: RAFAEL CUSATO


- Na arte dos Ndebele, as girafas de cerâmica também são destaques. Elas são feitas com argila e, depois de secas, esmaltadas e queimadas, ficam disponíveis para a venda aos turistas ou ainda como troca por produtos essenciais de uso doméstico.- Na sociedade Ndebele, a mulher ocupa uma posição distinta, devido ao seu domínio na arte da pintura e com o vestuário. Grafismos e cores fortes são expressados em paredes e vestimentas, além dos acessórios (braceletes, colares e tiaras) confeccionados com miçangas e contas coloridas. Eles se utilizam, também, de fibras vegetais para os adornos que enfeitam o alto da cabeça, usados nas festas.

- Os grafismos são puramente artesanais e desenhados à mão livre, sem medições ou esboços. À primeira impressão, são as de imagens abstratas, mas na verdade tudo é feito baseado num complexo sistema de sinais e símbolos.

- Apenas as mulheres se dedicam a preservar a tradição artística e passá-la para frente. As meninas Ndebele são afastadas do convívio masculino quando chegam à puberdade e passam cerca de três meses aprendendo os segredos das pinturas e artesanatos. Esse período de “estudos” mostrará o quanto elas serão boas e dedicadas esposas e mães.

 

 


CARACTERÍSTICAS CULTURAIS
- Na nação Ndebele as mulheres se enfeitam mais com o casamento e com o passar da idade. Elas utilizam anéis de cobre em volta do pescoço, dos braços e das pernas após se casarem. Os anéis simbolizam a fidelidade (elas não conseguem olhar para os lados) e só são retirados na hora do banho. Como eles simbolizam a riqueza e a fidelidade aos maridos, apenas com a morte de seus companheiros os anéis podem ser retirados, mas muitas mulheres não o fazem, por se habituarem a eles.

- Quando as jovens estão na idade de casar, recebem uma boneca com xale e o avental que irá simbolizar o novo status de mulher casada. A dona da boneca deve tomar conta dela e dar-lhe um nome, que depois será dado a sua primeira filha.

 
Esther Mahlangu (foto acima) conquistou o mundo com a sua arte. Abaixo, carro da marca BMW estilizado por ela em 1992


- O corpo da noiva é pintado com gordura de ardósia e em seu rosto é dado um brilho com vaselina, para torná-la mais atraente. É considerada uma vergonha se a peça da cabeça cair ou quebrar durante a cerimônia de casamento, que é bastante demorada.- A noiva não deve sorrir em seu casamento, pois deve demonstrar certa ‘tristeza’ de deixar a casa de seu pai. Na cabeça, ela leva um peça característica para a cerimônia de casamento, confeccionada com fibras vegetais e que demora horas para ser preparada pelas outras mulheres. Para usar o acessório, o cabelo da noiva é raspado na frente, coberto por um painel central endurecido com uma mistura de terra e mingau de ardósia, e decorado com miçangas e uma pena de ave rara.

- A manta colorida típica mostra o resumo de um forte senso de arte e design desse povo artista. As mulheres Ndebele, tradicionalmente, têm a cabeça raspada ou com tranças muito finas e simples. Os aros utilizados em torno do pescoço, braços e pernas são de bronze.

 

Nações Africanas

Produção CHRIS OLIVEIRA (Cia. das Tranças) | Modelos DANILO AFONSO e MARI FERNANDA

Nação Zulu
A África é um dos continentes mais ricos quando falamos em diversidade cultural. São cerca de 70 grupos étnicos. A partir desta edição, RAÇA BRASIL apresenta aos leitores alguns desses grupos, cada um com seus costumes próprios e particularidades, bem distantes da realidade, da crença e das tradições orientais. Para começar, saiba mais sobre os zulus

Por Sonia Nascimento  | produção: chris oliveira | Fotos: Rafael Cusato


Os zulus formam o maior grupo étnico do continente negro, com uma população estimada em 11 milhões - cerca de 24% de toda a África. Eles vivem nos territórios que, atualmente, correspondem à África do Sul (majoritariamente), Lesoto, Suazilândia, Zimbábue e Moçambique. No passado, mais precisamente no século XIX, eles gozavam de grande poder político e eram considerados uma nação guerreira e organizada, tanto que conseguiram resistir às invasões da Inglaterra e da Holanda. Confira agora as principais características dos zulus: 

- A língua oficial da nação Zulu é a IsiZulu.
- A província sul-africana do KwaZulu-Natal é considerada a sua pátria original.
- Nas tribos, o povo mantém suas vestimentas típicas, geralmente feitas de peles de cabra ou vaca, que, depois de trabalhadas, ficam finas como telas.
- Os homens vivem para a caça e para a guerra. O chefe zulu utiliza pele de leopardo, considerada um privilégio, já que eles não podem se casar para cuidar mais atentamente de suas tribos.
- As mulheres cultivam a terra e trabalham muito, fazendo cerveja, artesanato, comida... As crianças geralmente são pastores.
- Antes do casamento, os casais se comunicam apenas através de um colar de miçanga chamado "Lover Letter". Cada desenho e cor usada no colar indicam uma mensagem. Os zulus não têm o hábito de se beijar.
- Eles moram em cabanas, feitas de palhas de árvores próprias das florestas tropicais e em forma circular, sem janelas e facilmente desmontáveis.
- Os zulus possuem a tradição de diferentes pessoas comerem no mesmo prato. É um sinal de amizade e de conformidade com o costume da partilha e da reciprocidade.

- Eles confeccionam o colorido artesanato desenvolvido desde seus antepassados, que os tornaram mestres na arte de escrever pequenas mensagens com miçangas. Para eles, os trabalhos feitos com miçanga têm o poder de "falar".

MACHISMO E POLIGAMIA
- O homem zulu deve sempre andar à frente da mulher, tanto na prática quanto metaforicamente. Ou seja, entra e sai de qualquer ambiente primeiro. Do ponto de vista deles, é uma forma de 

 

proteger a mulher contra qualquer perigo que possa surgir. 

- De acordo com a tradição, as esposas devem morar em casas separadas, sem o marido. Elas vivem em tend

as que ficam ao redor da moradia do marido, com a proximidade marcada de acordo com a ordem dos casamentos: a primeira sempre mais perto, a última sempre mais longe. 

- Enquanto os homens se casam com até quatro mulheres (desde que sejam capazes de dar o padrão de vida confortável e igual a todas as suas esposas), elas, pelo que prega a tradição, devem ter apenas um marido e ser fiéis a ele.
- O direito às múltiplas uniões é garantido na Constituição, porém, poucos homens se arriscam a isso, porque é muito caro. Para se ter uma ideia, a cada sogro é preciso pagar um dote que chega a US$ 20 mil, o equivalente a 15 vacas, dependendo da noiva
- Além de praticar a poligamia, os zulus são adeptos do levirato - casamento compulsório da viúva com o cunhado

 

CURIOSIDADE: o atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma é da etnia zulu. Ele tem três esposas.

 

 

 


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